Depoimento da professora Lúcia Solange Bueno sobre a morte do filho Jorge Alceu Bueno Mariano, de 27 anos

“Meu filho sempre foi muito amado por mim e pelo pai. Sempre teve muitos amigos. Ele estudou na mesma escola que eu dava aula até a quarta série. Depois que saiu da rede municipal foi para a estadual, começou a usar maconha e nós ficamos preocupados. Colocamos ele em outra escola e não adiantou. Mas ele fumava a maconha dele tranquilo, não era um dependente.

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“Morte do meu filho foi queima de arquivo”, diz professora

Jorge Alceu Bueno Mariano foi morto por policiais junto com outros três jovens em local onde receptavam produtos roubados


Jorge Alceu Bueno Mariano tinha 27 anos

Nelson Bortolin

Há dez meses, a professora Lúcia Solange Bueno perdeu o filho Jorge Alceu Bueno Mariano, de 27 anos. Ele e mais três jovens foram mortos por policiais no dia 19 de fevereiro, num galpão da Vila Casoni. Segundo a professora, todos estavam desarmados.

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Documentário resgata histórico de luta de trans e travestis em Londrina

Filme que será lançado hoje foi produzido por estudantes da UEL a partir de iniciativa do Coletivo ElityTrans

Cecília França

Travestis e transexuais de Londrina sempre enfrentaram um terreno hostil às suas presenças. Mas o enfrentamento desse preconceito levou à construção de uma história de militância resgatada, agora, no documentário “Meu amor, Londrina é trans e travesti”, produzido por alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) a partir de uma iniciativa do coletivo ElityTrans. O lançamento acontece hoje, às 19h15, na sala 678 do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) da Universidade.

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Dia Mundial dos Direitos Humanos: entidades divulgam manifesto com críticas ao governo

Grupo vê em medidas do governo Bolsonaro submissão dos direitos sociais a interesses econômicos

Rede Lume de Jornalistas

Mais de 60 entidades ligadas à promoção dos Direitos Humanos no Brasil divulgaram um manifesto conjunto em que criticam medidas do atual governo que, segundo elas, vão na contramão dos direitos sociais das populações. A divulgação do documento marca o Dia Mundial dos Direitos Humanos, celebrado nesta terça-feira (10). Dentre as ações reprovadas pelo grupo estão pontos do Pacote Anticrime, do programa Juntos pela Vida, a extinção ou reformulação de espaços de participação popular – como Conselhos e Comitês – e propostas de desvinculação de receitas para a saúde e educação básicas.

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Famílias de mortos em confronto com polícia vão a Curitiba pedir investigação transparente

Comitiva se reúne com o Conselho de Direitos Humanos do Paraná

Nelson Bortolin

Representantes de 15 famílias de londrinenses mortos em confronto com agentes de segurança pública viajaram nesta segunda-feira (10) para Curitiba onde na terça-feira participam de uma reunião do Conselho Permanente de Direitos Humanos do Estado do Paraná.

O número de mortes violentas na cidade caiu 13% de janeiro a setembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 68 em 2018 e 59 em 2019. São casos de assassinatos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínio, e confrontos com a Polícia.

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A chama e a escuridão

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Na coluna anterior, tratamos sobre o quarto do pânico de nossa Democracia, a Constituição Federal e suas cláusulas pétreas. O assunto foi escolhido em razão do  julgamento do STF que determinou que é inconstitucional a execução de pena logo após decisão condenatória de segunda instância. 

No entanto, como todos sabem, este fato não foi importante somente para juristas e críticos de plantão do STF, que chamamos, carinhosamente, de “Camarottetes” – ou “Cantanhêdetes” -, que são aqueles que pouco sabem, mas opinam como se fossem sábios no assunto. Não. Foi importante para o país inteiro, pois tornou livre, finalmente, o maior líder político do país, um dos mais importante do Mundo. A liberdade de Lula veio como um sopro de esperança em meio à escuridão deste momento protofascista que vivemos no Brasil.

Mas não é só o Brasil que caminha em meio às trevas ideológicas.

Não dá para falar de política, neste momento, sem passarmos pelo que está acontecendo no Chile e na Bolívia. Ambos países, guardadas as peculiaridades dos casos, vivem um caos ininterrupto, gerado, de alguma forma, pela violação intensa de Direitos Humanos.

No Chile, por exemplo, depois de anos de políticas neoliberais, o Povo simplesmente cansou, foi às ruas devido a um aumento na passagem do Metrô e os protestos não pararam mais. Mas, por óbvio, que o aumento da passagem foi apenas a gota d’agua. Apesar de ser conhecido mundo afora como o país mais desenvolvido da América Latina, o Chile é tão desigual quanto qualquer outro país da região. 

Em 2015, por exemplo, o índice de desigualdade do Chile batia 0,51 (sendo “0” o menos desigual e “1” o mais desigual). O mesmo índice que o Brasil. Os serviços público, garantidores da dignidade da vida do povo, foram sucateados, privatizados e, finalmente, restringidos a uma pequena parcela da população: aquela que podia pagar. Praticamente não há acesso gratuito à educação e saúde; os demais serviços públicos são demasiadamente caros em relação ao ganho das pessoas; e, como cereja do bolo, o sistema de previdência Chilena é uma vergonha, por não garantir valores dignos aos aposentados das classes mais pobres – lembrando que é este o sistema que o Posto Ipiranga do Governo Brasileiro, aka Paulo Guedes, quer impor.

Depois de tantos anos de abusos, a população saiu às ruas pedindo por dignidade. É a chama da esperança; o acordar de um povo relegado ao mínimo. A resposta do Governo Chileno? 22 mortes; mais de 2000 pessoas feridas, dentre os quais cerca de 280 tiveram graves ferimentos oculares causados por tiros de borracha. Depois quase 30 anos, o exército Chileno voltou a tomar as ruas do País, levando brutalidade e terror. Dentre as investigação abertas contra militares – que somam 1089 até o momento – 24 são por tortura e 9 por estupro. A onda de luz Chilena está sendo apagada violentamente.

Na Bolívia o cenário foi completamente diferente, entretanto o resultado tem sido o mesmo: o massacre do povo pelo exército e pela elite.

Lá, depois de três mandatos do Presidente Evo Morales, nova eleição foi realizada e, mais uma vez, se sagrou vencedor. A eleição, todavia, foi apontada como fraudulenta por um relatório da OEA – relatório este requerido pelo próprio Presidente Morales. Prontamente, Evo informou que realizaria novas eleição.

Tarde demais. As suspeitas de fraude eram o estopim que a elite econômica da Bolívia esperava. Irresignados com as mudanças sociais propiciadas pelo primeiro Presidente indígena da Bolívia, os representantes da elite convocaram os opositores de Evo para irem às ruas. Alienados e tragados pelo ódio de classe e pelo racismo, a violência dos protestos ultrapassou qualquer barreira humana, como no caso da Prefeita boliviana do partido de Evo, que foi sequestrada e espancada por mais de 24 horas, por milícias fascistas de Camacho.

Depois de dias de protestos, a próprio Polícia se juntou aos manifestantes, transformando a onda reacionária do País num verdadeiro grupo armado – os camisas pretas Bolivianos (?). O exército, então, decidiu tomar partido – da elite, claro – e “sugeriu” que o Presidente renunciasse. 

Golpe concretizado. 

A Democracia Boliviana, que havia finalmente se estabilizado em 2006, rompeu-se. A resposta popular veio em forma de manifestações pró Evo Morales. A chama da esperança acendeu o povo Boliviano, que marchou rumo à Capital La Paz. Mas a resposta do Governo interino veio a galope. O exército foi colado nas ruas com ordem de uso da força para contenção e “restabelecimento da ordem”. Já são 24 mortes e mais de 700 pessoas feridas. O mundo tem assistido a cenas monstruosas, como o trancamento de manifestantes em um túnel, em Cochabamba. Para apagar o fogo da dignidade popular, a elite boliviana, que agora controla o País novamente, usou de suas armas mais poderosas: a força, o ódio e a Lei – um Decreto foi assinado há algumas semanas, isentando o exército de qualquer abuso cometido: é a institucionalização e legitimação da violência para manutenção do status dos governantes, mais conhecido como Ditadura!

Infelizmente, nem o Chile, nem a Bolívia conseguiram se livrar da onda de escuridão que os tomaram. O Chile, apesar da chama de anos de abuso, ainda não conseguiu vencer o poder dos Governantes, muito menos o exército, que ainda está nas ruas. A Bolívia, mesmo depois de mais de uma década de paz e ascensão econômica e social – para quem duvida, basta dar uma rápida analisada nas notícias, nem mesmo os mais conservadores conseguem esconder o avanço da Bolívia na era Evo -, não foi capaz de frear a onda reacionária e fascistóide que assombra o mundo.

Resta-nos olharmos para nós. Para onde ruma o Brasil? Marcharemos por nosso direitos e enfrentaremos o mal, que atualmente nos governa, como no Chile, ou aguardaremos, apáticos, mais um Golpe? Talvez mais um AI-5, como já prometeu o “03”. Aproveitaremos o sopro de esperança que foi a liberdade de Lula e a retomada da concretude de nossa Democracia, ou deixaremos a chama se apagar, com o vento do comodismo e do medo?

Entre a chama e a escuridão, devemos escolher…

Quarto do pânico

Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Os últimos dias foram extremamente agitados no campo político da América Latina, o que nos fez refletir e, claro, ter vontade de escrever sobre Constituição, democracia e cláusulas pétreas. Então, caro leitor: “ Senta que lá vem história!”.


O primeiro grande acontecimento dos últimos dias foi o julgamento no STF das Ações Declaratórias de Constitucionalidade que versavam sobre a prisão apenas após o trânsito em julgado da sentença condenatória, ou seja, a pessoa poder recorrer em liberdade até a última instância. 

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Ira dos conservadores se volta contra o Colégio Hugo Simas

Mãe de aluna reclama de “bando de vagabundos” que apresentou a “porcaria de uma palestra”; na verdade, era peça do FILO

Nelson Bortolin

Em 2016, a peça ‘O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu’, que retratava a história de Jesus como uma transexual, virou escândalo em Londrina. Era a estreia nacional do espetáculo no festival internacional de teatro, o FILO. Na edição de 2017 do evento, uma performance em que o ator aparecia nu dentro de uma bolha de plástico terminou na delegacia, após denúncia feita pela população.

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Cinquenta famílias rurais são despejadas de fazenda do grupo Atalla em Alvorada do Sul

Apesar de ser considerada improdutiva pelo Incra, área não foi destinada para a Reforma Agrária

Cecília França, com informações da assessoria do MST

Cerca de 200 policiais, 60 viaturas e integrantes da Tropa de Choque realizaram, na última quinta-feira, o despejo das famílias do acampamento Ester Fernandes, em Alvorada do Sul. Elas ocupavam a Fazenda Palheta, de posse do grupo Atalla, há 10 anos e agora estão alojadas, provisoriamente, no assentamento Iraci Salete, também em Alvorada.

A área de 692 hectares foi declarada como grande latifúndio improdutivo pelo Incra em 2008 e ocupada pelas famílias de trabalhadores rurais sem terra em 2009. O MST argumenta que, além da improdutividade, o grupo Atalla, proprietário da Usina Central do Paraná, deve cerca de R$ 650,2 milhões para a União e foi flagrado com trabalhadores em situação análoga à escravidão, a partir de investigação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal.

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Sangue negro

*Por Paula Vicente e Rafael Colli, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Londrina

Na coluna passada, falamos sobre crise climática. E faz todo sentido, pois um meio ambiente equilibrado é um direito humano, essencial para nossa existência. Infelizmente, precisamos retomar o assunto em razão da tragédia ambiental que nos assola.

Há algumas semanas, os jornais brasileiros têm acompanhado um derramamento de petróleo cru nos mares do Nordeste. Todos os estados nordestinos foram afetados. Os danos, ainda, são desconhecidos – ou pouco calculados.

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